Luciano Bastos Guitar
Acordes Básicos no Violão: Guia Claro para Iniciantes
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Aula de Violão
Iniciante

Acordes Básicos no Violão: Guia Claro para Iniciantes

13 min de leitura
··Por Luciano Bastos / Luciano Bastos Guitar

Aprender acordes é um dos primeiros grandes passos de quem começa no violão. No início, parece que os dedos não obedecem, que algumas cordas ficam abafadas e que trocar de um acorde para outro demora demais. Isso é normal.

A ideia deste artigo é te conduzir com calma: primeiro você vai entender o que é um acorde, depois como ler os diagramas, depois como montar os acordes mais usados e, por fim, como praticar as trocas de forma inteligente.

Você não precisa decorar tudo em um dia. O objetivo é construir uma base segura para começar a tocar músicas simples sem se perder.

01

O que é um acorde?

Um acorde é um conjunto de notas tocadas ao mesmo tempo.

No violão, isso acontece quando você posiciona alguns dedos da mão esquerda no braço do instrumento e toca várias cordas com a mão direita.

Por exemplo: quando você toca o acorde de Mi menor (Em), algumas cordas estão soltas e outras estão pressionadas. O som final é a soma de todas essas cordas vibrando juntas.

Neste momento, você não precisa se preocupar com teoria avançada. Pense assim:

  • nota é um som isolado;
  • acorde é um grupo de sons tocados juntos;
  • sequência de acordes é o que acompanha muitas músicas.
02

Antes de começar: como ler os diagramas

Os diagramas abaixo mostram as 6 cordas do violão de cima para baixo.

Leitura do diagrama (acorde de Dó)
80 BPM
e0
B1
G0
D2
A3
Ex
1 passos

A letra à esquerda indica a corda. O número mostra a casa onde você deve apertar.

  • 0 significa corda solta, sem apertar nenhuma casa.
  • 1, 2, 3... indicam a casa que deve ser pressionada.
  • x significa que aquela corda não deve ser tocada.

Um ponto importante: a linha de baixo representa a corda mais grossa do violão, e a linha de cima representa a corda mais fina. Isso pode parecer estranho no começo, mas é um padrão muito usado em cifras e diagramas.

03

Nomes dos dedos da mão esquerda

Para facilitar, vamos usar estes nomes:

1 = indicador
2 = médio
3 = anular
4 = mindinho

Não existe problema se, no começo, você precisar olhar muitas vezes para conferir o dedo correto. Com a prática, o formato dos acordes começa a ficar automático.

04

Como apertar as cordas corretamente

Antes de aprender vários acordes, vale ajustar a técnica básica. Isso evita dor, som abafado e frustração.

Pressione a corda com a ponta do dedo, não com a parte deitada do dedo. Tente deixar o dedo próximo ao traste, mas sem ficar em cima dele. O traste é aquela barrinha de metal que divide as casas do braço do violão.

Se a nota sair abafada, normalmente é por um destes motivos:

  • o dedo está encostando sem querer em outra corda;
  • a corda não está sendo pressionada com firmeza suficiente;
  • o dedo está longe demais do traste;
  • a mão está muito tensionada.

A meta não é apertar com força máxima. A meta é encontrar a menor força necessária para a corda soar limpa.

05

Os acordes básicos para começar

A seguir estão acordes muito usados em músicas populares. Eles aparecem em rock, pop, sertanejo, gospel, MPB, folk e muitos outros estilos.

Não pense neles como uma lista para decorar rapidamente. Pense como um vocabulário inicial. Cada acorde é uma palavra nova que você aprende no instrumento.

06

1. Mi menor (Em)

O Em costuma ser um dos primeiros acordes aprendidos porque usa apenas dois dedos e permite tocar todas as cordas.
Mi menor (Em)
80 BPM
e0
B0
G0
D2
A2
E0
1 passos

Toque as 6 cordas.

Esse acorde tem um som mais sério, profundo e levemente triste. É excelente para começar porque a mão esquerda não precisa fazer uma abertura difícil.

Dica de treino: monte o Em, toque corda por corda e veja se todas soam limpas. Se alguma corda estiver abafada, ajuste a posição dos dedos devagar.
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2. Mi maior (E)

O E é muito parecido com o Em. A diferença é que você acrescenta mais um dedo.
Mi maior (E)
80 BPM
e0
B0
G1
D2
A2
E0
1 passos

Toque as 6 cordas.

Compare o som do Em com o som do E. O Em soa mais escuro. O E soa mais aberto e firme. Esse contraste entre maior e menor vai aparecer muitas vezes no estudo musical, mas por enquanto apenas perceba a diferença no ouvido.

Dica de treino: alterne entre Em e E. Tire e coloque apenas o dedo 1 na terceira corda, primeira casa. Isso ajuda o ouvido a perceber como um único dedo pode mudar o caráter do acorde.
08

3. Lá menor (Am)

O Am é outro acorde essencial. Ele aparece em muitas músicas tristes, românticas e introspectivas.
Lá menor (Am)
80 BPM
e0
B1
G2
D2
A0
Ex
1 passos

Toque da 5ª corda para baixo. Não toque a 6ª corda.

O Am exige um pouco mais de cuidado porque três dedos ficam próximos. Se a primeira corda fina não soar, provavelmente algum dedo está encostando nela sem querer.

Dica de treino: toque uma corda por vez. Isso mostra exatamente qual corda está limpa e qual precisa de ajuste.
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4. Dó maior (C)

O C é um dos acordes mais importantes para iniciantes. Ele aparece em muitas músicas e ajuda bastante na coordenação da mão esquerda.
Dó maior (C)
80 BPM
e0
B1
G0
D2
A3
Ex
1 passos

Toque da 5ª corda para baixo. Não toque a 6ª corda.

A maior dificuldade do C é abrir um pouco mais a mão. O dedo 3 precisa alcançar a 5ª corda, 3ª casa, enquanto o dedo 1 fica na 2ª corda, 1ª casa.

Dica de treino: compare Am e C. Eles têm um dedo em comum: o dedo 1 na 2ª corda, 1ª casa. Ao trocar de Am para C, tente manter esse dedo parado e mover apenas os outros.
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5. Ré maior (D)

O D tem um formato pequeno, mas exige atenção porque apenas quatro cordas devem ser tocadas.
Ré maior (D)
80 BPM
e2
B3
G2
D0
Ax
Ex
1 passos

Toque da 4ª corda para baixo. Não toque a 5ª nem a 6ª corda.

No começo, é comum acertar o desenho da mão esquerda, mas tocar cordas demais com a mão direita. Por isso, pratique devagar.

Dica de treino: antes de fazer uma batida completa, toque somente as quatro cordas certas: D, G, B e E. Depois acrescente o ritmo.
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6. Sol maior (G)

O G tem som cheio e aberto. É muito usado em violão acústico e aparece em inúmeras músicas para iniciantes.
Sol maior (G)
80 BPM
e3
B0
G0
D0
A2
E3
1 passos

Toque as 6 cordas.

Existem variações para o G. Algumas pessoas usam o dedo 3 na primeira corda em vez do dedo 4. Outras usam quatro dedos. Para começar, use a forma que for mais confortável e que permita trocar de acorde com mais facilidade.

Dica de treino: não se preocupe em fazer o G perfeito no primeiro dia. Ele exige abertura maior da mão. Monte devagar, toque corda por corda e relaxe a mão sempre que sentir tensão.
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7. Fá maior (F)

O F costuma assustar iniciantes porque, na forma completa, usa pestana. Pestana é quando o dedo indicador pressiona mais de uma corda ao mesmo tempo.

Forma completa:

Fá maior (F) — pestana
80 BPM
e1
B1
G2
D3
A3
E1
1 passos

Essa forma é difícil no começo. Por isso, você pode começar com uma versão mais simples.

Forma simplificada de F:

Fá maior (F) — simplificado
80 BPM
e1
B1
G2
D3
Ax
Ex
1 passos

Toque da 4ª corda para baixo.

A versão simplificada já funciona em muitos estudos e músicas. Com o tempo, quando sua mão ganhar força e controle, você pode voltar para a versão com pestana completa.

Dica importante: não deixe o F travar seu aprendizado. Se ele estiver muito difícil, continue praticando Em, E, Am, C, D e G. O F melhora com o tempo.
13

Acordes maiores e menores: o que muda no som?

Você viu acordes com nomes parecidos, como E e Em. A letra m significa menor.

De forma bem simples:

  • acordes maiores costumam soar mais abertos, firmes ou alegres;
  • acordes menores costumam soar mais fechados, sérios ou tristes.

Isso não é uma regra emocional absoluta, mas ajuda o iniciante a começar a perceber a diferença.

Neste artigo, o foco é aprender os formatos e conseguir tocar. A explicação detalhada sobre como os acordes são formados pode ficar para um estudo posterior.

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A ordem mais fácil para estudar

Você não precisa aprender todos de uma vez. Uma boa ordem é:

  1. Em
  2. E
  3. Am
  4. C
  5. D
  6. G
  7. F simplificado
  8. F com pestana

Começar pelo Em ajuda porque ele é simples e dá sensação de progresso. Depois, o E acrescenta apenas um dedo. Em seguida, Am e C ajudam a desenvolver coordenação. D e G treinam precisão. O F fica por último porque exige mais força e controle.

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Como praticar a troca de acordes

Saber montar um acorde parado é apenas a primeira etapa. Para tocar músicas, você precisa trocar de um acorde para outro sem parar o ritmo.

Comece com pares fáceis:

Em → E
Am → C
G → Em
C → G
D → G

Faça assim:

  1. monte o primeiro acorde;
  2. toque uma batida simples;
  3. troque para o segundo acorde;
  4. toque outra batida;
  5. repita lentamente.

Não acelere antes de conseguir trocar com som limpo. Velocidade sem controle só cria vícios.

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Exercício de 5 minutos para troca de acordes

Escolha dois acordes, por exemplo Am e C.
Am → C → Am → C

Durante 5 minutos, repita essa troca com calma.

No começo, não se preocupe com ritmo bonito. Apenas faça a troca acontecer. Depois, tente manter uma batida simples e constante.

Um bom objetivo inicial é conseguir trocar entre dois acordes sem parar por 1 minuto.

17

Batida simples para praticar

Use uma batida muito básica:

↓   ↓   ↓   ↓
1   2   3   4

Cada seta para baixo representa uma batida para baixo.

Você pode tocar uma batida por tempo. Por exemplo:

G       D       Em      C
↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓

Não precisa começar com ritmos complicados. Primeiro, aprenda a manter o movimento e trocar os acordes no tempo certo.

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Primeiras progressões para tocar

Progressão é uma sequência de acordes. Muitas músicas usam progressões simples repetidas várias vezes.

Progressão 1: G, D, Em, C

G → D → Em → C

Essa sequência aparece em muitas músicas pop, rock e folk. É uma ótima progressão para treinar porque mistura acordes abertos muito comuns.

Progressão 2: C, G, Am, F

C → G → Am → F

Se o F com pestana estiver difícil, use o F simplificado.

Progressão 3: Em, C, G, D

Em → C → G → D

Essa sequência é boa para treinar mudanças entre acordes maiores e menores.

Progressão 4: Am, C, G, D

Am → C → G → D

Aqui você treina Am e C, que têm formato parecido, e depois passa para acordes mais abertos.

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Como saber se o acorde está bom?

Um acorde está bom quando todas as cordas que devem soar aparecem com clareza.

Para conferir, faça este teste:

  1. monte o acorde;
  2. toque uma corda por vez;
  3. observe se alguma corda está muda ou trastejando;
  4. ajuste os dedos;
  5. toque o acorde completo.

Esse teste é mais eficiente do que tocar tudo de uma vez, porque mostra exatamente onde está o problema.

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Erros comuns de iniciante

Apertar com força demais

Muita gente acha que precisa esmagar as cordas. Isso gera dor e tensão. Aperte apenas o suficiente para a nota sair limpa.

Deixar os dedos muito longe do traste

Quanto mais longe do traste, mais força você precisa fazer. Tente posicionar o dedo perto da barrinha de metal, sem ficar em cima dela.

Tocar cordas que não fazem parte do acorde

Em C, Am e D, algumas cordas não devem ser tocadas. No começo, isso é difícil. Treine devagar até a mão direita aprender onde começar a batida.

Trocar de acorde rápido demais

Se a troca está embolando, reduza a velocidade. Tocar devagar e limpo é melhor do que tocar rápido e confuso.

Abandonar o treino por causa do F

O F é difícil mesmo. Use a versão simplificada e continue avançando. A pestana melhora com prática gradual.

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Plano de estudo para 7 dias

DiaFoco do treinoO que praticarObjetivo do dia
Dia 1Em e EMonte cada acorde, toque corda por corda e compare o som dos dois.Perceber a diferença entre um acorde menor e um acorde maior com formato parecido.
Dia 2AmPratique o Am sozinho. Depois alterne entre Em e Am.Ganhar controle ao posicionar três dedos próximos.
Dia 3CMonte o C com calma. Depois pratique Am → C, mantendo o dedo 1 como referência.Aprender a trocar de acorde sem levantar todos os dedos ao mesmo tempo.
Dia 4DTreine tocar apenas as quatro cordas certas. Depois pratique G → D, mesmo que o G ainda esteja lento.Controlar melhor a mão direita e evitar cordas que não fazem parte do acorde.
Dia 5GMonte o G devagar, toque todas as cordas e relaxe a mão entre as repetições.Acostumar a mão com uma abertura maior entre os dedos.
Dia 6F simplificadoPratique a forma simples do F. Não force a pestana completa ainda.Começar a se familiarizar com o som e a posição do F sem travar o estudo.
Dia 7ProgressõesEscolha uma progressão simples, como G → D → Em → C, e toque lentamente com uma batida para baixo.Juntar os acordes em sequência e começar a sentir música de verdade.
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Conclusão

Aprender acordes básicos não é uma corrida. É um processo de coordenação, escuta e repetição.

No começo, o mais importante é conseguir montar os acordes com calma, fazer cada corda soar limpa e trocar entre dois acordes sem perder totalmente o ritmo.

Com Em, E, Am, C, D, G e F simplificado, você já começa a ter vocabulário suficiente para acompanhar muitas músicas simples. Depois, conforme sua mão ganha firmeza, você pode explorar ritmos mais interessantes, pestanas, variações e novas tonalidades.

Pratique devagar, escute o som de cada acorde e avance um passo por vez. É assim que a base fica sólida.