Luciano Bastos Guitar
KISS
Hard RockShock RockGlam Rock
Perfil da Banda

KISS

21 min de leitura
··Por Luciano Bastos / Luciano Bastos Guitar
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Dados Básicos

CampoInformação
NomeKISS
Nome estilizadoKIϟϟ
OrigemNova York, Estados Unidos
Formação1973
Status atualAtiva como marca, catálogo, legado audiovisual e projeto pós-palco; a era de turnês regulares terminou em 2023
GênerosHard Rock, Shock Rock, Glam Rock, Heavy Metal, Arena Rock
Formação clássicaPaul Stanley, Gene Simmons, Ace Frehley, Peter Criss
Formação final de turnêPaul Stanley, Gene Simmons, Tommy Thayer, Eric Singer
Personas clássicasStarchild, Demon, Spaceman, Catman
Membros falecidosEric Carr, Mark St. John, Ace Frehley
Álbuns essenciaisKISS, Alive!, Destroyer, Rock and Roll Over, Love Gun, Creatures of the Night, Lick It Up, Revenge, MTV Unplugged
Canções essenciaisStrutter, Black Diamond, Rock and Roll All Nite, Detroit Rock City, Beth, Love Gun, Shock Me, I Was Made for Lovin' You, Lick It Up, Forever
KISS em performance com maquiagem clássica, pirotecnia e estética teatral
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Origem e Formação

O KISS nasceu em Nova York em 1973, mas sua origem real está no inconformismo de Paul Stanley e Gene Simmons com o caminho do Wicked Lester. O projeto anterior tinha elementos de pop, psicodelia e rock de estúdio, mas não traduzia a ambição dos dois: criar uma banda direta, física, teatral e imediatamente reconhecível. Eles queriam que o público entendesse o impacto antes mesmo da primeira nota. A música precisava ser simples o bastante para grudar, pesada o bastante para dominar uma sala e visualmente forte o bastante para virar símbolo.

Peter Criss entrou primeiro, trazendo voz rouca, swing de baterista criado em clubes e uma ligação com o rock and roll mais antigo. Ace Frehley completou o núcleo com uma guitarra menos acadêmica e mais instintiva: bends tortos, frases pentatônicas, vibratos largos e uma personalidade que parecia vir de outro planeta. A partir desse encontro, a banda não era apenas Paul, Gene, Ace e Peter. Era Starchild, Demon, Spaceman e Catman.

Essa decisão estética foi crucial. O KISS não usou maquiagem como ornamento; usou maquiagem como linguagem. Cada personagem comunicava uma função dentro do mito coletivo: Paul era o sedutor de arena, Gene era a ameaça demoníaca, Ace era o outsider espacial e Peter era o coração callejero, romântico e felino. A identidade visual permitiu que a banda fosse compreendida por crianças, adolescentes, fãs de quadrinhos, ouvintes de rádio e frequentadores de shows pesados. Poucas bandas do rock construíram tão cedo uma ponte tão eficiente entre música, personagem e produto cultural.

Musicalmente, o início do KISS também foi mais inteligente do que muitas leituras superficiais sugerem. A banda misturava a teatralidade de Alice Cooper, a sujeira glam dos New York Dolls, o senso de refrão dos Beatles e a urgência do hard rock setentista. A fórmula parecia simples: riffs curtos, refrões repetíveis, solos memoráveis e uma bateria que empurrava tudo para frente. Mas a execução exigia disciplina. Cada música precisava funcionar como canção e como cena.

Formação clássica do KISS e suas quatro personas originais: Starchild, Demon, Spaceman e Catman
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Membros e Personas

IntegrantePersona / FunçãoPeríodoPapel histórico
Paul StanleyStarchild / vocal e guitarra base1973-presentePrincipal frontman, arquiteto melódico, mestre de cerimônias e voz central da identidade ao vivo
Gene SimmonsDemon / vocal e baixo1973-presenteMotor conceitual da marca, presença cênica extrema, baixo direto e vocais graves de impacto
Ace FrehleySpaceman / guitarra solo1973-1982, 1996-2002Guitarrista fundador; definiu riffs, solos, timbre e parte essencial do imaginário visual
Peter CrissCatman / bateria e vocal1973-1980, 1996-2001, 2002-2004Bateria com swing, voz de “Beth” e elo emocional com a formação original
Eric CarrThe Fox / bateria1980-1991Renovou a força rítmica da banda nos anos 1980 e se tornou um dos membros mais queridos pelos fãs
Vinnie VincentAnkh Warrior / guitarra solo1982-1984Figura decisiva na transição para o período sem maquiagem e no peso de Creatures of the Night/Lick It Up
Mark St. JohnGuitarra solo sem persona clássica1984Participou de Animalize e simboliza uma passagem curta, técnica e turbulenta
Bruce KulickGuitarra solo sem maquiagem1984-1996Estabilizou a fase sem maquiagem, trazendo fraseado técnico, musicalidade e consistência
Eric SingerBateria / Catman na fase posterior1991-1996, 2001-2002, 2004-presentePonte entre a fase Revenge, o retorno dos personagens e a formação final
Tommy ThayerGuitarra solo / Spaceman na fase posterior2002-presenteRepresentou a continuidade visual e operacional do KISS no século XXI

A história do KISS não pode ser reduzida à formação original, embora ela seja o centro emocional e simbólico da banda. O KISS é também a história de substituições difíceis, conflitos de identidade e sobrevivência comercial. Quando Peter Criss saiu em 1980, Eric Carr precisou assumir a bateria sem destruir o mito. Quando Ace Frehley se afastou, Vinnie Vincent e depois Mark St. John e Bruce Kulick carregaram uma função quase impossível: tocar a guitarra de uma banda cuja imagem de guitarrista já era um personagem global.

Essa tensão acompanha todo o catálogo. Para parte dos fãs, o KISS verdadeiro é a formação clássica. Para outros, a fase sem maquiagem dos anos 1980 e início dos 1990 contém alguns dos melhores momentos musicais da banda, especialmente em termos de peso, produção e performance instrumental. O mais honesto é reconhecer que o KISS sobreviveu porque conseguiu ser duas coisas ao mesmo tempo: uma banda de personagens e uma máquina de adaptação.

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História

1973-1975: clubes, primeiros discos e a invenção do espetáculo

Os três primeiros álbuns de estúdio — KISS, Hotter Than Hell e Dressed to Kill — apresentaram a matéria-prima: “Strutter”, “Deuce”, “Black Diamond”, “Hotter Than Hell”, “C’mon and Love Me” e “Rock and Roll All Nite”. Em estúdio, porém, a banda ainda não soava tão gigantesca quanto nos palcos. O KISS era, acima de tudo, uma experiência ao vivo: fogo, sangue falso, guitarras fumegantes, botas de plataforma, explosões, luzes e uma postura quase circense.

Foi Alive!, de 1975, que transformou potencial em fenômeno. O álbum não apenas capturou a energia da banda; ele vendeu a ideia de pertencimento. Ouvir Alive! era entrar em uma arena mesmo estando no quarto. “Rock and Roll All Nite” virou manifesto porque condensava a promessa da banda: festa, catarse, volume e identidade coletiva.

1976-1979: auge comercial, mitologia e excesso

Destroyer elevou o KISS a outro patamar. Produzido por Bob Ezrin, o disco ampliou a paleta musical com arranjos mais ambiciosos, narrativa urbana e dramaticidade. “Detroit Rock City” trouxe cinema para o hard rock; “Beth” mostrou a força emocional de Peter Criss; “God of Thunder” consolidou Gene Simmons como figura quase monstruosa no palco.

Rock and Roll Over e Love Gun devolveram a banda a uma estética mais direta, com riffs secos, refrões fortes e guitarras no centro. “Love Gun”, “I Stole Your Love”, “Christine Sixteen” e “Shock Me” reforçaram o lado físico da banda. “Shock Me”, primeira grande vitrine vocal de Ace Frehley no KISS, também ajudou a consolidar sua persona como guitarrista carismático, excêntrico e indispensável.

No fim dos anos 1970, o KISS era mais que banda. Era império: discos solo simultâneos, quadrinhos, produtos licenciados, TV, brinquedos e uma base de fãs organizada. O problema é que o excesso também trouxe desgaste. A experiência disco de “I Was Made for Lovin’ You” mostrou capacidade de adaptação, mas também dividiu parte da base roqueira. Dynasty e Unmasked apontavam para uma banda mais pop, menos ameaçadora e internamente fraturada.

1980-1983: saída de Peter, entrada de Eric Carr e crise de direção

A saída de Peter Criss marcou a primeira ruptura profunda no mito. Eric Carr entrou como The Fox e trouxe energia, precisão e vontade de provar seu valor. Ele não era Peter, e esse era justamente o desafio. A banda precisava convencer o público de que poderia continuar sem um dos quatro rostos originais.

Music from “The Elder” foi a aposta mais arriscada desse período: um álbum conceitual distante do hard rock direto que havia consagrado a banda. Com o tempo, o disco ganhou defensores, mas na época aprofundou a crise. Creatures of the Night, em 1982, corrigiu a rota com bateria enorme, guitarras pesadas e uma sonoridade mais próxima do heavy metal. Mesmo assim, Ace Frehley já estava se afastando da dinâmica criativa, e o KISS caminhava para uma reinvenção radical.

Em 1983, a banda retirou a maquiagem em rede nacional e lançou Lick It Up. O gesto foi simbólico: o KISS abandonava a máscara para tentar sobreviver na era da MTV, do metal visual e do hard rock televisivo. Sem maquiagem, Paul e Gene precisavam provar que ainda havia banda por trás da mitologia.

1984-1992: fase sem maquiagem, Mark St. John, Bruce Kulick e a reconstrução

Animalize, de 1984, apresentou Mark St. John na guitarra solo. Tecnicamente veloz e mais próximo da linguagem shred dos anos 1980, ele participou de um momento de transição acelerada. Sua passagem foi curta, marcada por problemas de saúde e dificuldade de encaixe na máquina de turnê. Bruce Kulick assumiu a função e se tornou o guitarrista que deu estabilidade à fase sem maquiagem.

Com Asylum, Crazy Nights e Hot in the Shade, o KISS dialogou com o hard rock radiofônico dos anos 1980. Nem tudo envelheceu com a mesma força, mas essa fase foi essencial para manter a banda viva diante de uma geração que consumia música por videoclipes. “Tears Are Falling”, “Crazy Crazy Nights”, “Hide Your Heart” e “Forever” mostram uma banda mais polida, mais melódica e menos assustadora, mas ainda capaz de escrever refrões eficientes.

Revenge, de 1992, foi uma retomada de peso. Com Eric Singer na bateria após a morte de Eric Carr, o disco soou mais duro, sombrio e focado. Para muitos fãs, Revenge é o ponto alto da fase sem maquiagem: menos dependente de nostalgia, mais consistente como álbum de hard rock e mais consciente da própria história.

1995-1996: MTV Unplugged, o acústico que mudou tudo e a volta da formação original

O MTV Unplugged foi muito mais do que um especial acústico. Foi o momento em que o KISS percebeu, diante das câmeras e do público, que a ferida da formação original ainda era também sua maior força comercial e emocional. Até ali, a banda vinha defendendo sua fase sem maquiagem com Bruce Kulick e Eric Singer. Havia bons músicos, bons discos e uma estrutura profissional funcionando. Mas quando Ace Frehley e Peter Criss subiram ao palco para dividir músicas com Paul Stanley, Gene Simmons, Bruce Kulick e Eric Singer, a energia mudou de categoria.

O formato acústico foi decisivo porque retirou a armadura do KISS. Sem explosões, sem sangue, sem plataformas e sem volume de arena, sobraram canções, vozes, olhares e memória. “Beth”, “Nothin’ to Lose”, “2,000 Man” e “Rock and Roll All Nite” funcionaram como reconciliação pública. O público não viu apenas ex-integrantes tocando juntos; viu uma história interrompida ganhando a chance de ser recontada.

Esse é o ponto que torna o Unplugged tão importante. A reunião não nasceu apenas de cálculo comercial, embora o potencial de mercado fosse evidente. Nasceu de uma constatação emocional: a química imperfeita entre Paul, Gene, Ace e Peter ainda produzia uma eletricidade que nenhuma formação posterior conseguia substituir completamente. O acústico expôs isso com uma clareza que um show pirotécnico talvez escondesse.

A resposta dos fãs abriu caminho para a Alive/Worldwide Tour de 1996, com maquiagem, figurinos clássicos e a formação original reunida. Foi uma das maiores viradas de nostalgia do rock moderno. O KISS entendeu antes de muita gente que a memória podia ser uma experiência ao vivo, não apenas um produto de arquivo. A partir dali, a banda voltou a operar em escala mitológica: quatro personagens, palco gigantesco, repertório clássico e uma promessa de retorno ao sonho setentista.

1998-2004: Psycho Circus, tensões internas e nova substituição dos personagens

Psycho Circus foi anunciado como o retorno de estúdio da formação original, mas a realidade foi mais complexa. A presença efetiva de Ace e Peter no álbum foi limitada, e o projeto revelou que a reunião visual não significava necessariamente uma reconstrução plena da velha democracia interna. Mesmo assim, a turnê reforçou a força do imaginário clássico.

Com o passar dos anos, Ace e Peter voltaram a sair. Eric Singer assumiu a bateria usando a persona Catman, e Tommy Thayer assumiu a guitarra usando a persona Spaceman. Essa decisão se tornou uma das mais debatidas da história da banda. Para alguns, preservava a iconografia do KISS como teatro de personagens. Para outros, diluía a autoria de Ace e Peter. A discussão é legítima porque toca o centro da pergunta: o KISS é uma banda de pessoas ou uma marca de personagens?

A resposta talvez seja desconfortável: é as duas coisas. O KISS só existe porque Paul, Gene, Ace e Peter deram humanidade aos personagens. Mas também continuou existindo porque Paul e Gene entenderam os personagens como propriedade simbólica da banda. Essa tensão é parte inseparável do legado.

2009-2023: última fase de estúdio, turnês finais e despedida física

Sonic Boom e Monster buscaram apresentar o KISS do século XXI como uma banda ainda capaz de gravar material novo dentro de sua linguagem clássica. Os discos não redefiniram a história, mas mostraram uma formação funcional, profissional e consciente do próprio DNA: riffs diretos, refrões de arena, bateria reta e solos construídos para palco.

A End of the Road World Tour encerrou a era de turnês regulares com a formação Stanley, Simmons, Thayer e Singer. O último show no Madison Square Garden, em Nova York, em dezembro de 2023, teve peso simbólico evidente: a banda terminava sua trajetória física de grandes turnês na cidade onde tudo começou. Ao revelar avatares digitais como continuidade possível, o KISS fez algo coerente com sua própria história. Desde 1973, a banda nunca foi apenas carne e osso; sempre foi também máscara, personagem, desenho, produto, espetáculo e fantasia.

KISS na transição dos anos 1980, fase marcada por mudanças de formação e reinvenção sonora
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Membros Falecidos e Memória

Falar do KISS hoje exige tratar seus membros falecidos não como notas de rodapé, mas como partes fundamentais da narrativa. A banda sempre vendeu imortalidade visual, mas sua história real é profundamente humana: doença, acidentes, rupturas, reconciliações parciais e lutos públicos.

MembroPeríodo no KISSFalecimentoImportância
Eric Carr1980-199124 de novembro de 1991Renovou a bateria após Peter Criss, criou a persona The Fox e marcou uma geração de fãs dos anos 1980
Mark St. John19845 de abril de 2007Guitarrista de Animalize; passagem curta, técnica e marcada por circunstâncias difíceis
Ace Frehley1973-1982, 1996-200216 de outubro de 2025Fundador, Spaceman original, arquiteto de riffs, solos, timbre e parte decisiva da identidade visual

Eric Carr talvez seja o caso mais emocional para os fãs que acompanharam a transição dos anos 1980. Ele entrou quando a banda precisava provar que podia sobreviver à primeira grande ruptura. Sua bateria tinha mais peso moderno, seu comportamento com fãs era frequentemente lembrado como generoso, e sua morte em 1991, aos 41 anos, interrompeu uma trajetória de profunda identificação com a KISS Army. Revenge, lançado depois, carrega essa sombra: é um disco de retomada, mas também de luto.

Mark St. John representa uma história diferente: a do músico que passou rápido demais para ser plenamente absorvido pelo mito. Sua guitarra em Animalize dialogava com a velocidade e a técnica da época, mas sua presença ao vivo foi limitada. Ele morreu em 2007, aos 51 anos, e sua trajetória costuma aparecer de modo fragmentado nas narrativas sobre a banda. Ainda assim, ignorá-lo empobrece a história, porque sua curta passagem ajuda a explicar como o KISS tentou se reposicionar no hard rock dos anos 1980.

Ace Frehley ocupa outro patamar. Sua morte em 2025 alterou definitivamente o modo de ler a história da banda. Enquanto Ace estava vivo, a tensão entre nostalgia, conflito e possibilidade de reconciliação continuava aberta no imaginário dos fãs. Depois de sua partida, o Spaceman deixou de ser apenas um ex-integrante carismático: tornou-se memória fundadora. Seu jeito de tocar influenciou guitarristas justamente porque parecia alcançável. Ele não era um virtuose acadêmico; era um criador de frases que soavam como canções dentro das canções. Para milhares de jovens, Ace foi a prova de que a guitarra podia ser personagem.

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Discografia Essencial

ÁlbumAnoPor que importa
KISS1974Apresenta o núcleo musical: riffs simples, refrões diretos e atitude de clube amplificada
Hotter Than Hell1974Mais cru, sombrio e sujo; cultuado por fãs pela atmosfera pesada
Dressed to Kill1975Traz “Rock and Roll All Nite” e consolida a banda como fábrica de refrões
Alive!1975Transforma o KISS em fenômeno e define o álbum ao vivo como experiência de arena
Destroyer1976Expande ambição, produção e dramaturgia; inclui “Detroit Rock City” e “Beth”
Rock and Roll Over1976Retoma o hard rock direto com som mais orgânico
Love Gun1977Um dos retratos definitivos da formação clássica, com destaque para Ace em “Shock Me”
Creatures of the Night1982Reposiciona a banda com peso, bateria enorme e linguagem mais heavy
Lick It Up1983Marca a era sem maquiagem e a reinvenção para a MTV
Revenge1992Ponto alto da fase sem maquiagem, com peso, foco e produção mais agressiva
MTV Unplugged1996Documento da reconciliação pública que abriu caminho para a reunião clássica
Psycho Circus1998Símbolo ambíguo do retorno visual da formação original
Sonic Boom2009Primeiro álbum de estúdio com a formação Stanley/Simmons/Thayer/Singer
Monster2012Último álbum de estúdio, reafirmando o hard rock direto da fase final
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Som, Guitarras e Linguagem Musical

O KISS nunca dependeu de complexidade harmônica para funcionar. Sua força está na arquitetura do impacto: riffs que cabem na mão, refrões que cabem na voz do público e arranjos que deixam espaço para o palco acontecer. Em vez de progressões sofisticadas, a banda apostou em movimento, repetição e contraste.

A guitarra de Ace Frehley foi central nessa fórmula. Seus solos raramente parecem exercícios técnicos; eles soam como extensões melódicas da música. Ace usava pentatônicas, bends, vibratos e frases com forte senso de identidade. Para um guitarrista iniciante, seus solos são portais de entrada. Para um guitarrista experiente, eles mostram uma lição difícil: memorabilidade vale mais que excesso de notas.

Paul Stanley, por sua vez, é subestimado como guitarrista base. Sua função era sustentar o corpo das músicas com riffs secos, palhetada firme e senso de palco. Gene Simmons tocava baixo de maneira funcional, muitas vezes priorizando presença vocal e cênica. Peter Criss trazia swing e uma certa elasticidade que diferenciava a formação clássica de uma máquina de hard rock completamente reta.

Nos anos 1980, a linguagem mudou. Vinnie Vincent trouxe mais velocidade e tensão; Mark St. John representou a estética shred; Bruce Kulick ofereceu equilíbrio técnico, bom gosto e versatilidade. Em Revenge, especialmente, a banda soa mais pesada e menos caricatural, mostrando que havia substância musical para além da maquiagem.

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Estética, Palco e Marca

O KISS entendeu antes de quase todos que o rock podia ser uma experiência multimídia. A banda não vendia apenas álbuns; vendia um universo. O palco tinha fogo, sangue, fumaça, plataformas, explosões, guitarras com efeitos, bateria elevada e um repertório pensado para participação coletiva. A plateia não era observadora: era parte do ritual.

A KISS Army foi essencial nesse processo. O fã do KISS não apenas gostava da banda; ele pertencia a uma comunidade visualmente identificável. Camisetas, maquiagem, pôsteres, bonecos e capas de disco funcionavam como símbolos de adesão. Essa lógica antecipou práticas de branding que hoje parecem óbvias na música pop, no metal e no entretenimento de franquia.

A crítica frequentemente acusou o KISS de ser mais marketing que música. A acusação ignora que, no KISS, marketing e música são inseparáveis. O espetáculo não esconde a canção; amplifica sua função. “Detroit Rock City” não é apenas uma faixa: é abertura de show imaginária. “God of Thunder” não é apenas riff: é entrada do Demon. “Rock and Roll All Nite” não é apenas refrão: é juramento coletivo.

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Influências e Artistas Influenciados

Alice Cooper
Shock Rock

A teatralidade sombria, o horror de palco e a noção de show como encenação ajudaram a abrir caminho para a linguagem visual que o KISS transformaria em sistema permanente.

New York Dolls
Proto-Punk / Glam Rock

A sujeira glam, a atitude nova-iorquina e a provocação visual dos Dolls foram ingredientes importantes para a estética inicial do KISS.

The Beatles
Rock / Pop

A influência aparece na ideia de quatro identidades reconhecíveis, vozes diferentes, melodias diretas e construção de universo coletivo.

Led Zeppelin
Hard Rock / Blues Rock

O peso de arena e o imaginário do rock setentista dialogam com a ambição do KISS, ainda que a banda tenha preferido concisão e refrões a longas improvisações.

Mötley Crüe
Glam Metal

O glam metal dos anos 1980 absorveu diretamente a lição do KISS: visual, excesso, perigo teatral e refrões de arena podiam caminhar juntos.

Pantera
Heavy Metal

Mesmo em uma estética muito mais pesada, músicos do metal posterior reconheceram no KISS a importância da identidade visual e do riff memorável.

Pearl Jam / Mike McCready
Rock Alternativo

A influência de Ace Frehley sobre guitarristas que cresceram nos anos 1970 e 1980 atravessou estilos e chegou ao rock alternativo.

KISS na fase final da End of the Road World Tour, encerrando a era física das grandes turnês
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Legado

O legado do KISS é paradoxal porque a banda foi, ao mesmo tempo, subestimada e impossível de ignorar. Críticos questionaram sua simplicidade musical, mas gerações de fãs aprenderam guitarra, palco e atitude com suas músicas. A banda raramente buscou sofisticação progressiva; buscou impacto. E impacto, no rock, também é linguagem.

A entrada no Rock and Roll Hall of Fame em 2014 reconheceu a formação original como uma das mais influentes combinações de som e imagem da cultura rock. Mas o KISS já havia vencido antes disso: sua iconografia é reconhecida mesmo por quem não conhece os álbuns em profundidade. Poucas bandas têm silhueta tão imediata. Poucas transformaram logotipo, maquiagem e personagens em gramática pop.

O MTV Unplugged permanece como um dos capítulos mais reveladores porque mostrou que a banda não era apenas explosão. Quando desplugou os amplificadores e trouxe Ace e Peter de volta ao lado de Paul e Gene, o KISS encontrou uma forma rara de vulnerabilidade. O acústico não diminuiu a banda; revelou sua memória. A partir dali, a reunião de 1996 não pareceu apenas espetáculo nostálgico, mas uma reparação simbólica para fãs que cresceram esperando ver os quatro rostos juntos outra vez.

Depois das mortes de Eric Carr, Mark St. John e Ace Frehley, o KISS também precisa ser visto como arquivo humano. A marca pode continuar, os avatares podem prolongar a fantasia e o catálogo pode encontrar novas gerações, mas a história real permanece ligada aos músicos que deram corpo ao mito. Ace não foi apenas o Spaceman; Eric Carr não foi apenas o substituto de Peter; Mark St. John não foi apenas uma nota rápida em Animalize. Todos fazem parte de uma narrativa maior sobre sobrevivência, reinvenção e custo emocional de manter uma lenda viva.

O acústico abriu a porta da reunião

O MTV Unplugged de 1995 mostrou a força emocional da formação original e ajudou a pavimentar o caminho para a reunião com maquiagem em 1996.

Ace Frehley desenhou parte do mito

Além de guitarrista fundador, Ace é frequentemente associado à criação do logotipo clássico e à construção da persona Spaceman.

Eric Carr virou símbolo de afeto dos fãs

Mesmo não sendo membro original, Eric Carr é lembrado como um dos integrantes mais queridos da história do KISS.

O fim das turnês não encerrou a marca

A despedida física de grandes turnês em 2023 foi seguida pela proposta de continuidade digital com avatares.